Confederação Brasileira de Futebol 7 CBF7
Notícia - 09/12/2018 às 22:12:41
DO SUDESTE PARA O NORTE: COMO A GESTÃO DO FUTEBOL 7 MUDOU NO ESTADO DO PARÁ
Um projeto audacioso atrai praticantes para o futebol 7 e impulsiona a criação de ligas no estado do Pará. Após os primeiros resultados, a meta é levar a modalidade para toda a região Norte

Por JÚLIA ALVES
BELO HORIZONTE, MG
André Borcem, presidente FF7PA (Foto: Ney Carioca)
O primeiro pontapé para mudar a gestão do futebol 7 no estado do Pará foi dado em março. André Borcem tomou a iniciativa de entender, por meio de um modelo de sucesso, como deve ser o trabalho feito por uma federação da modalidade. Borcem ficou uma semana acompanhando os processos dentro da Federação de Futebol 7 do Espírito Santo. Do Sudeste, ele trouxe, na bagagem, bons exemplos que o ajudaram a transformar a organização de campeonatos no Pará.

“Assim que eu retornei de Vitória (ES), começamos a implementar todo o conhecimento que foi absolvido. Ao chegar aqui, me deparei com um cenário interessante. O Pará tem dimensões continentais e um campo vasto para ser explorado onde não tinha sido difundido a modalidade do futebol 7. Aí surgiu o desafio: como apresentar ao estado a modalidade começando do zero. Nós arregaçamos a manga e fomos à luta.” - revela André Borcem, presidente da Federação do Pará.

Borcem colocou as mãos à obra e, em 15 dias, montou a primeira liga. A competição era formada por clubes sociais e foi um importante passo no projeto de mostrar a modalidade para as pessoas. O projeto teve sequência com outras duas competições, uma no feminino e outra no masculino. O passo seguinte foi levar o trabalho, que já era feito em Belém, para o restante do estado.

Para conseguir expandir o projeto, foi necessário viajar, conhecer a realidade de cada um dos municípios e implantar ligas dentro de cada cidade visitada, além de ensinar as pessoas a trabalhar com a modalidade do futebol sete e orientar os presidentes das ligas a usar a plataforma SporTI para a gestão completa dos campeonatos. Foi um trabalho corpo a corpo que deu resultado e a Federação conseguiu realizar uma competição estadual com um grande alcance.

“Com essas soluções nos municípios, tivemos condições de criar copas dentro das regiões do estado (Copa Norte, Copa Sul…). A ideia é que, no primeiro semestre do ano que vem, as competições já estejam acontecendo nas regionais. Depois traremos os campeões e os vice-campeões dessas ligas para uma segunda etapa de um estadual. Assim teremos uma competição estadual de verdade, com oportunidade a todos os municípios afastados da capital competir um campeonato oficial.” - afirma Borcem.

Ao executar o projeto de expansão, a Federação encontrou uma realidade financeira que dificultava a adesão de times e manutenção dos jogadores e se viu diante de um novo desafio: descobrir uma forma das equipes permanecerem dentro do esporte. A solução foi atrair empresários para patrocinar campeonatos e equipes de diferentes maneiras e procurar o apoio de prefeituras.

“Nós já conseguimos fazer algumas empresas se engajar na modalidade. As secretarias de esporte e lazer também estão ajudando nas viagens. O feedback tanto do setor privado como público está sendo muito positivo. Eles estão visualizando dentro da competição a sua marca, seja nas quadras ou na camisa das equipes.” - André Borcem.


Outra forma para contribuir com a permanência dos atletas foi oferecer a eles outros benefícios além do esportivo. A federação desenvolveu convênios com clínicas odontológicas e médicas para que o jogador filiado pudesse ter serviços com desconto ou até mesmo de graça e, assim, mais motivos para continuar jogando.

Foi necessário também pensar medidas que tornassem a produção da competição mais barata. Um dos gastos que onerava a criação do campeonato era o custo do aluguel de quadra, já que a federação não possuía espaço próprio. A decisão foi descentralizar as competições selecionando de cinco a dez arenas para serem locais sedes. Negociando com cada uma, criou-se uma concorrência e foi possível obter descontos e negociar horários mais baratos. A arena fica em evidência dentro de uma competição oficial e, em contrapartida, faz um preço mais acessível.

Com mais locais sediando os jogos, tem mais espaço de exposição para marcas e, portanto, a possibilidade de conseguir mais patrocinadores para a competição. Dessa forma, a federação reduziu o custo operacional do campeonato e ainda ampliou a margem para angariar patrocínio para pagar as despesas e oferecer premiações atraentes para os vencedores. O objetivo da FF7PA com esse modelo de negociar é reduzir o valor das inscrições e contribuir para que mais times participem.

A Federação de Futebol 7 do Pará colhe frutos de todo esse esforço. Após os primeiros meses de trabalho, já tem cerca de 125 equipes filiadas e 1771 atletas. O número está numa crescente e o André está pronto para dar um novo passo, ainda mais audacioso, a criação da Copa Norte.

“Eu tomei a liberdade de buscar, garimpando nas redes sociais mesmo, equipes e pessoas que tomam conta do futebol amador em diferentes estados da Região Norte. Então comecei a recrutar essas pessoas para que elas comecem a criar as suas federações e conhecer o funcionamento da federação no Espiríto Santo e a SporTI, com o objetivo de ter uma copa na nossa região.” - confidencia André Borcem.  

Para encerrar o ano com chave de ouro, a Federação está de casa nova. Agora a sede da FF7PA será na Arena Space Ball, um complexo com quadras e academia e próximo a hotel para facilitar hospedagem e deslocamento das equipes de outras cidades para jogos em Belém.

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